top of page

Espondilite anquilosante: quando a dor nas costas é inflamatória

Foto do escritor: Dr Bernardo Cleto
Dr Bernardo Cleto
15 de set.
5 min de leitura

Escrito e revisado por: Dr. Bernardo Cleto, CRM 520121401-2 RJ, RQE nº 59871, Reumatologia Publicado em: 29/09/2026 | Atualizado em: 29/09/2026


Imagem raio-x de pessoa com dor na lombar e próximo à cabeça
Fonte: Blog Pilates

Dor nas costas é uma das queixas mais comuns na população em geral, e a explicação quase sempre está em postura, esforço físico ou desgaste da coluna. Por isso, quando um jovem de vinte e poucos anos começa a sentir dor lombar persistente, a primeira suspeita raramente é uma doença reumatológica.

A espondilite anquilosante é exatamente esse tipo de condição: começa cedo, é confundida com dor mecânica por anos, e o diagnóstico tardio é mais regra do que exceção. Este texto explica o que é a doença, como ela se diferencia da dor de coluna comum e quando vale procurar um reumatologista.


O que é a espondilite anquilosante


A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas, localizadas na região entre a coluna e a bacia. Faz parte de um grupo maior de condições chamado espondiloartrites.

A inflamação persistente pode, ao longo do tempo, levar à formação de pontes ósseas entre as vértebras, o que reduz a flexibilidade da coluna. Esse processo é lento e não acontece da mesma forma em todos os pacientes, especialmente quando a doença é identificada e acompanhada desde o início.

Também pode haver comprometimento de outras articulações, como quadril e ombro, além de manifestações fora das articulações, incluindo inflamação ocular e, com menor frequência, envolvimento intestinal e cutâneo.


Por que costuma começar em pessoas jovens


Os primeiros sintomas geralmente aparecem antes dos quarenta anos, com frequência ainda na adolescência ou no início da vida adulta. Isso contraria a expectativa comum de que dor de coluna significativa só acontece em pessoas mais velhas, e é um dos motivos pelos quais o diagnóstico demora.

A doença também tem um componente genético relevante. Um marcador chamado HLA-B27 está presente na maior parte das pessoas com espondilite anquilosante, embora ter esse marcador não signifique necessariamente desenvolver a doença. Histórico familiar da condição é um dado importante a mencionar na consulta.


Dor lombar comum ou dor inflamatória: a diferença que importa


Esse é o ponto central para saber quando vale investigar. A dor lombar mecânica, causada por esforço ou desgaste, segue um padrão bem diferente da dor lombar inflamatória.

Sugere causa mecânica:

  • Começou depois de esforço, movimento brusco ou má postura

  • Piora com atividade e ao longo do dia

  • Melhora com repouso

  • Rigidez matinal curta, geralmente menos de trinta minutos

Sugere causa inflamatória, como na espondilite:

  • Começou de forma gradual, sem causa aparente

  • Iniciou antes dos quarenta anos

  • Dura mais de três meses

  • Piora com repouso e melhora com movimento

  • Costuma acordar a pessoa na segunda metade da noite

  • Rigidez matinal prolongada, com frequência acima de trinta minutos

  • Melhora perceptível após exercício ou anti-inflamatório

A combinação de vários desses pontos, e não um sinal isolado, é o que leva à suspeita clínica. Quando alguém relata que a dor piora ao ficar parado e melhora ao se movimentar, essa inversão chama atenção do reumatologista.


Outros sinais que podem acompanhar o quadro


Além da dor na coluna, a espondilite anquilosante pode vir acompanhada de:

  • Dor alternada nas nádegas, característica do comprometimento da articulação sacroilíaca

  • Dor e inchaço em outras articulações, como quadril, ombro ou joelho

  • Dor no calcanhar, na sola do pé ou em outros pontos onde tendões se inserem no osso

  • Fadiga persistente

  • Olho vermelho, dor ocular ou sensibilidade à luz, que pode indicar uveíte, uma inflamação ocular associada à doença

  • Redução progressiva da mobilidade da coluna, incluindo dificuldade para expandir o tórax ao respirar fundo, em fases mais avançadas

Nem todos os pacientes apresentam todos esses sinais. O quadro varia bastante de pessoa para pessoa.


Como é feito o diagnóstico


Não existe um único exame que confirme sozinho a espondilite anquilosante. O diagnóstico combina história clínica detalhada, exame físico e exames complementares.

O reumatologista costuma avaliar o padrão da dor ao longo do tempo, a presença de rigidez matinal prolongada e a resposta a anti-inflamatórios. Exames de imagem, como radiografia e ressonância magnética das articulações sacroilíacas, ajudam a identificar sinais de inflamação. O exame de sangue para o marcador HLA-B27 pode compor a investigação, mas seu resultado, isolado, não confirma nem descarta a doença.

Por essa razão, o processo diagnóstico pode levar tempo e, muitas vezes, exige mais de uma consulta.


Existe tratamento


Sim. O tratamento da espondilite anquilosante é acompanhado ao longo do tempo e ajustado conforme a resposta de cada paciente. As opções incluem anti-inflamatórios, fisioterapia com foco em manter mobilidade e postura, e, em casos com atividade de doença mais persistente, medicamentos imunobiológicos, que podem ser administrados por injeção ou por infusão.

A fisioterapia e a atividade física regular têm papel importante, não como substituto do tratamento médico, mas como parte dele, contribuindo para manter a mobilidade da coluna.

A definição de qual abordagem é adequada para cada caso depende da avaliação do reumatologista, e não deve ser feita por conta própria.


Dúvidas frequentes


Dor nas costas na juventude sempre é espondilite anquilosante? Não. A grande maioria dos casos de dor lombar em jovens tem causa mecânica, ligada a postura, esforço ou atividade física. A espondilite é uma possibilidade entre várias, que se torna mais provável quando a dor segue o padrão inflamatório descrito acima e persiste por mais de três meses.

Ter o marcador HLA-B27 significa que vou desenvolver a doença? Não necessariamente. Uma parte relevante da população tem esse marcador sem nunca desenvolver espondilite anquilosante. Ele é uma peça da investigação, não um diagnóstico isolado.

A doença tem cura? É uma condição crônica, acompanhada ao longo da vida. O objetivo do tratamento é controlar a inflamação, preservar a mobilidade e reduzir o impacto no dia a dia.

Espondilite anquilosante está relacionada à artrite psoriásica? As duas fazem parte do mesmo grupo maior de doenças, as espondiloartrites, e compartilham algumas características. São, no entanto, condições distintas, com particularidades próprias.


Próximo passo


Se você tem dor nas costas persistente há mais de três meses, começou antes dos quarenta anos e percebe que ela piora em repouso e melhora com movimento, vale conversar com um reumatologista.

Conheça nossa página de consultas em reumatologia para verificar convênios atendidos e agendar avaliação.

Casos que envolvem indicação de medicação intravenosa podem ser acompanhados no centro de infusão da ReumaMed, em Niterói.



Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual. O diagnóstico, a indicação de tratamento e o acompanhamento devem ser realizados por um médico.

Escrito e revisado por: Dr. Bernardo Cleto, CRM 520121401-2 RJ, RQE nº 59871, Reumatologia Publicado em: 29/09/2026 | Atualizado em: 29/09/2026

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


@2020 Criado por ReumaMed

bottom of page